segunda-feira, 7 de junho de 2010

Agora

Te liguei esse final de semana. Celular desligado. Percebo o quanto já não me pertences* mais, e a quantos muitos alguéns poderíamos pertencer agora. Agora que já não nos temos mais. Depois do susto, canto! Canto sim... canto porque lembro de o quanto já não te tinha, de o quanto praticava solidão acompanhada. Canto porque sei que eu tive um amor que nasceu e morreu sobre as montanhas tão distantes. Canto porque tudo o que eu queria era um relacionamento sincero, com aquela vida que brilhou na noite do dia em que enfiei a cabeça embaixo de uma bica, até ficar toda molhada, até ficar doente, e até ser recolhida como aquela moça do coração partido (sim, isso é uma outra referência) na tua cama.
Ouço Lay Lady lay sem parar, e em meu peito ainda soluça um verso. Sim. Meu coração é BEM grande!
Sim... tem coisas que eu nunca te disse, e nunca vou dizer. Talvez nunca as diga a ninguém.
Se tu quer que eu me exponha, aqui estou.

...

Sinto saudades da época em que uma roupa servia para me traduzir. Elaborações estéticas mais objetivas, eu tinha. Tinha mais certeza, mais gana, mas também mais medo.
(tinha?)
Corta recorta. Começar sempre é fácil, e o difícil mesmo é terminar.
Em algum momento é preciso que se jogue tudo, tudo, tudo fora.

Falando Sério.

*O Uso a da expressão "pertencer" é intencional, e relaciona-se à estética proposta pela artista.

sábado, 5 de junho de 2010

Hoje a lua estava feliz, e o céu estava claro como na manhã daquele domingo.

sexta-feira, 28 de maio de 2010

Porque um dia, fez passeio por um caminho montanhoso, coberto de estrelas vermelhas.

Ela decide deixar o lamento instalar-se. Sentia a falta, penava a ausência, e em ânsias repentinas mentia o que já foi um dia.
"O que foi feito da vida?"
Não sabia. E seu diálogo virando sempre num monólogo vazio, e os caminhos cada vez mais cruzados.
Relação passado-presente, memória. Ela, e a necessidade dela, correndo sozinha numa bicicleta azul. Bah... como é bom descer uma calçada!
Ontem sob o viaduto, podia voar de tão leve.
Era um retalho de veludo (vermelho, um sofá. Como aquele homem com voz de mulher...)
Um dente de leão (tinha bordado uma um dia. Poderia bordar de novo?)
Óh, bicho branco e comprido que mora na beira do mar enquanto o sol se põe.

Poderia pintar novas paredes com giz de cera?
Pintar o Cal?
Plantar um pimentão?
Não ter problemas com o vento encanado?

Ver o temporal chegar na ponta do Cachimbo (e outra vez, literalmente fugir dele em alta velocidade?)
E misturar tudo tudo. E gostar de tudo tudo, e crer. Principalmente crer.
E daí?

Podia fazer melhor.
Definitvamente!


segunda-feira, 17 de maio de 2010

Esboço primeiro da lista irracional de justificativas possíveis para meu total desprezo às coisas feitas hoje em dia

Pequena, paro ao pés do gigante. Não me devora de imediato, e tentar ver seus olhos me deixa com dor no pescoço.
Aonde eu estou, perdida e sozinha, naquele mar de gente, que deixa o mundo com cara de "onde está Wally?"?
Com aquela quantidade absurda de novidades e de informações. E de apelos, e de cores (sempre elas!).
Pulverizada, as verdades de hoje não abalam, e nos fazem flutuar errantes.
(Que cafona!)
Faz muito tempo que nada acontece sim, assim como faz tempo que um monte de coisa acontece sem que eu (e a grande maioria, sem pensarmos em números) percebam.
Eu grito e reclamo então: hoje, temos cada um um fantasma!
Cada um tem direito a um inimigo próprio, para que se torne descomposto o grupo.
Eu não tenho tantos braços, tantos olhos e estômago pra tudo isso que acontece lá fora.

1. Talvez ficar jogado num canto, sem toda essa comunicação (que mais cala, silencia), tendo contudo um objetivo claro (certeiro alvo!), seja extamente o que nos falta.

Cansar, e descansar.

segunda-feira, 10 de maio de 2010

Marcação para lembrar a passagem desta data.

A consciência das cordas não afrouxa as amarras,
e a prisão é também o meu trunfo!
Hoje é mais um dia, assim como será amanhã.
Mas poderia não ter sido.
.
O que devolver, quando o que se é engolido é uma bola de ar seco, e só?

sexta-feira, 7 de maio de 2010

E sente saudades de si ante aquele lugar-outono...*

Tem o corpinho mole ainda, meu filho. É frágil, mais que a moça.
Tens medo?
Porque me olhas?
(Porque sei que olhas!) de cima para baixo.
Não sei.
Sobre isso
nada sei
dizer, informar, denunciar, propor, questionar.
Sobre isso
calo, fecho a porta.
Daí quando eu choro... quando eu choro, eu lembro do cheiro da piscina de plástico
"Abre todas as portas e que o vento varra a idéia
Que temos de que um fumo perfuma de ócio os salões..."
E também dos abacaxis e Parangolés.
Ufa!
Pausa para o coração bater?

*Hora Absurda, Fernando Pessoa


segunda-feira, 19 de abril de 2010

E procurava, como todo mundo...

Só porque eu estava de pés descalços
a cena parecia fim da novela das 8.
Percebam atentos: eis a importância dos elementos da cena!

Porque eu gosto mesmo é de cantar
e de Sérgio Sampaio.

Só porque eu quero não querer
e porque
"Eu moro longe
Eu posso não voltar"

Só porque já cansei de correr de cá pra lá
e porque sempre volto pra casa com a sensação de poderia ter feito melhor
Só por isso

É ingênuo, eu sei.
Mas tão vazia tem sido as atitudes efetivas para o melhoramento...

E para concluir, uma carinha:
:(
ou duas
:)

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