quinta-feira, 1 de setembro de 2011


Gostaria de te matar, e te odeio tanto em alguns momentos. Isso é o que eu digo então.
O sangue, os pedacinhos de tu. E depois sexo comigo mesma sobre teus restos mortais.
Suja de sangue (não, eu não consigo e nem quero abandonar os clichês). Colocaria a mesma música. A mesma música. A mesma música, ela, sempre ela, Louca na matinê.
Depois me mataria. Mas de mentirinha.
Deitada a lado das tuas partes, dormiria em paz (até que não formigassem meus pensamentos).
Lembrei de um filme, play novamente.

Espaço em branco. Eu ali, dormindo ao lado de quem já foste um dia. Sinto saudade, amor, e choro por não estares de fato ali, ao lado meu, enquanto o Cigano nos faz flutuar no salão de Atos.

Nós que sentimos, e eu querendo saber porque tenho que doer as vezes.
Daí que não me calo (em palavras ao menos!), e em casa repito o fenômeno do sal da lágrima que faz coçar minhas bochechas.
Não devia. Mas preciso.

terça-feira, 30 de agosto de 2011

Pequeno ensaio do novo que será "Quando eu começar a dizer tudo"

No tempo em que eu era louca, não podia deixar o dia amanhecer. Era preciso dizer tudo agora. Era necessário ordenar com urgência as garantias que eu teria ao concordar em me relacionar com o todo, o resto, o não-eu.

Antes de eu ser louca, porém, em nada me era permitido tocar. As coisas seriam sentidas ou pressentidas e seria fundamentalmente assim que eu passaria a compreender as minhas verdades.

Minhas verdades, sua verdade.

Nossa verdade. Ela, que não existe, e que requer construção.

Agora não estou mais louca. Aprendi a confiar em minha saliva e nos dois dentes que me restaram.

Boa noite.

Ps: com início, meio e fim! Dale!

terça-feira, 9 de agosto de 2011

Saudade

Cotidiana e sistematicamente tentando te esquecer.
Tua ausência é tão presente que não permite escrever nada além desse clichê barato.
De manhã quando viro a esquina, no trem que me leva de Rosário a Buenos Aires, e a noite (na hora do "chá com bolacha Maria").
Do humor peculiar e do "iiiiiii" bem alto.

tu tu tu...

domingo, 5 de junho de 2011

Historinha sobre a Biodiversidade

Era uma vez um amor tão bonitinho: Ela menina, Ele passarinho.

Ela menina ia para a escola quando viu o corpinho no chão, ainda quente, que tinha acabado de se esborrachar depois de cair do alto do prédio.

Quente ainda. Coitadinho!

O corpinho foi transportado com a mão até o interior de um toco de árvore também morta. Ali, na beira da sepultura, Ela menina prometeu que iria diariamente depositar flores coloridas de papel no oco do toco da árvore, para que nunca fosse esquecido aquele corpinho ainda quente de passarinho.

Mas as flores acabaram lhe trazendo um problema. Tomavam tempo demais.

Na semana seguinte, esse era o bilhete que Ela levava para casa:

“Comunico que a aluna passa todas as aulas desenhando, pintando e recortando flores de papel. Abandonou a matemática, e nem historinhas escreve mais.

Ass.: A Professora.”

Foi dito então à menina que deixasse as homenagens póstumas de lado e que voltasse a estudar. Ao contrário do que se imagina o conselho foi rapidamente acatado, pois ela já tinha cansado de recortar e pintar e desenhar as tais flores.

Tic-Tac.

Muito tempo passou. Ela já não passava mais naquela rua, e Dele não sobrou nem o toco da árvore que foi posteriormente coberto por grossa camada de cimento.

Mas, muitos e muitos anos depois, Ela conhece Ele, que tinha se transformado em um homem muito alto e magro, leve, leve, com rápidos olhinhos ligeiros, e que tinha uma voz de anjo que a deixava muito feliz quando cantava. Agora ele deixava sementes em volta da cama dela, e de aerado fazia seus dias mais leves, enquanto riam e sonhavam juntos.

É de uma vez um amor tão bonitinho. Ela não mais menina, Ele não mais passarinho.

quarta-feira, 11 de maio de 2011

Enquanto relia seus pequenos cadernos verdes.

Como traduzir o silêncio do encontro real entre nós dois?
Clarice Linspector

Sentada e ajeitando as saias (como fazia sua personagem), convidou-se a moça a uma conversa.
Clarice Clarice, e ela de novo a me assombrar.
Se era clichê? Sim, sim... por vezes sentia-se assim. E era esse medo de tornar a se repetir que lhe assombrava nas últimas semanas.
Medo infundado, ria, porque a gente precisa fazer muita força para conseguir se repetir igualzinho no fim.
Rindo de novo, pensou que no fim "é mesmo uma pena que as coisas não se repitam.
Já pensou? os primeiros 100m pedalados sem ajuda das rodinhas; o primeiro feijão que virou planta e a primeira vez de qualquer outra coisa, de novo?"

Mas precisava recomeçar de alguma forma. Vontade, vontades e coisa boa. Andavam de noite na rua, batucadas, copos nas mãos. Na outra página o manual de normalização aberto, o caderno sobre a mesa, a dor no ombro e o iogurte que faziam em casa. De dia perdia-se entre as amostras e de noite encontrava-se nos papéis.

A propósito: tinha ela passado o dia inteiro lembrando do cheiro das casas onde tinha morado nos últimos anos. Horas e horas se divertindo sozinha com as paixões que inventava de mentira, e as saudades que sentia de verdade.

Fim.
(Provisório. Até que um melhor apareça.)

sábado, 9 de abril de 2011

Separação

Coração par
tido.

quarta-feira, 16 de março de 2011

Tá.

Como quando tinha saído da casa do pai usando os novos óculos e relógio branco que ganhou no natal, senta ela e começa a contar o que tinha acontecido naquele dia. Tinha tido um pesadelo onde aquele que não merece citação lhe mandava embora e ela ia. Ia embora e chorava para uma casa toda feia e toda suja, onde todas as paredes pareciam más, e onde o quintal parecia uma versão portoalegrense de Metrópolis, com novos prédios altos e sujos e onde ela morava só.
Começa a insatisfação ao despertar pela escolha que o pensamento fez de com quem se sonha. Com tanta gente!, tanto índio (ai que dor!), tantos braços fortes... logo com ele, para quem ela já não tem mais paciência (admitindo para si que sempre achou seu sorriso feio, com aquela curva dos dentes e da boca que lhe conferia um aspecto de boneco). Logo com isso, que não importava mais.
Mas tá.
Passou o dia com cara jururu "meio assim". No fim da tarde corta o cabelo: é "moça solteira dona do nariz". Volta pra casa, e ama o cheiro e som das tábuas do chão.


Arquivo do blog