quarta-feira, 1 de julho de 2009

01/07/2009 - 23:53

Eu, cavo aqui entre as velas coloridas.
São rios de lágrimas enquanto pinto-
em minha janela- uma paisagem.
Lembro das manhãs ensoladaras,
quando passeávamos nos parques e pontes.
A gente tinha - nós dois - uma árvore que parecia um cesto.

Aliás, foi debaixo de uma árvore que enterrei o meu cachorro. Eu era bem pequenininha, e ele, morreu.
-Foi o veneno da barata!
Morto, dentro de uma caixa de papelão com o fundo forrado de um lençol azul muito marinho,
foi enterrado debaixo de uma árvore. Um pé de Aroeira?
Não sei.

Lá fora, os Bárbaros se atiçam a cada passe...
Eu, leio o jornal e tenho medo do mundo:
ele, me causa uma dor. Bem no estomago...

Eu, sigo aqui. Entre uma pestana de varia de tres para quatro cordas
-Quando a mão começar a doer, tu para!
E o novo disco. Bom. Muito bom.


sexta-feira, 5 de junho de 2009

?

Nunca sabia o que dizer. Toda vez que chegava na hora... o branco vinha... e... se ficava muda era porque...
Não sabia.

Reescrevia os poemas, defrifava códigos: quanta sutileza de gestos!
"Que manobra radical!", diria ele?
Não sabia.

(podia imaginá-lo imóvel, do outro lado da tela.
Coração aos pulos e o silêncio.)

Teria ele, escutado seus assovios?
Aliás: por onde andava a cotovia de unha vermelha
em pele descalça?
No escuro do elevador,
ou nas dobradiças de dormir?
Não sabia.

Ele excitava sua imaginação,
e a fazia verter-se em lágrimas e suspenses.
Se... de tarde corria
...

Se corresse bem depressa, chegaria sempre antes. A coisa estava tão complicada e vazia, que já não cabia em nada de tão grande, e também de nada servia de tão inútil.
Seria uma espécie de... Elefante branco, eu acho.


segunda-feira, 1 de junho de 2009

Da Caverna!

Tinha um gosto estranho esse cachimbo. Ou o ritual todo: a vela, a música e uma colcha de memórias espalhadas, em um espaço imaginário.
A maior dificuldade sempre foi o desejo de apreender aquilo que nos escapa: a covinha, as cores e cheiros, as idéias fugidas não sei de onde...
Tec-tec-tec:
Lembrava-se da chácara da infância, e do frio que sentira naquela noite em que andou na beira do açude. O gosto de morango e terra. O violãozinho da lata de azeite, as ovelhas, e o cheiro de pão feito em casa.

Corta!

E eu poderia te contar que a minha vida é toda ela, toda ela, cheia de cores e texturas. Poderia passar horas tentando te descrever sensações relevantes, e fazendo planos para estudos futuros.
Poderia te prometer os bolinhos de batada da minha mãe, mas... a fonte das minhas idéias secou, e eu tenho preferido as coisas velhas ao invés das novas. Percebo que os desejos são semelhantes entre muitos... e por isso decido continuar escrevendo cerrada assim, dessa forma encarcerada. Oculto os rementes, os destinatários, e fico entre um delírio aqui e um sorriso ali: o cinema me dá vonta de chorar!

sexta-feira, 8 de maio de 2009

:/

E quanto mais vazias forem as coisas...
E quanto mais inexpressivas se tornarem: tanto melhor!
Se ele magôa por um lado,
eu, por outro lado magôo.
Somos dois
em seres e dores.
***
Aliás... porque sempre dói mais à noite?

quinta-feira, 7 de maio de 2009

Sonho de 1 Real: Sinhô e Vivaldi

Porque o negócio da gente é pensar, mais do que agir. Ela mesmo, por exemplo, é super preguiçosa. Tem preguiça até de improvisar: outro dia disseram para provar o vazio de nada planejar/ser/pensar. E ela? Ela... ela... já sabia desde o início o que queria dizer.... Já tinha verificado a localização de todas as portas de incêndio do ambiente...
***
Era quinta feira. Ela, puro fragmento. Monta-desmonta-monta-desmonta. Vinha de momentos de muitas luzes, reconhecio o quanto era feliz por pertencer (de alguma forma) a aquilo tudo. Sentia-se ignorante, e feliz por contentar-se com pouco: tudo, tudo tocava tão profundo, mas tão profundo, que... bastava!
Sofria sim, pois não  conseguia falar sobre o tempo, ou a chuva: era preciso sempre envolver as tripas. 
Será mesmo?
***
E, pergunta que não quer calar: Mas afinal... o que é a nossa memória?

terça-feira, 5 de maio de 2009

A Obra de Arte

Porque se em mim, eu não ajo
Age em mim teu suspiro.
Respiro vida, e vivo melhor!
Respiro o ar do meio dia, que cheira a matos e folhas.
Depois do sol, a goiabeira e os coqueiros!

São Cocos e melancias, e Relógio de Ouro tarde a dentro.


quinta-feira, 23 de abril de 2009

Início... ( ou, "Com o título à definir")

Agora era noite. Lembro de uma capelinha de Nossa Senhora de Fátima sobre a porta, eu, menina, entrando. Lembro da luz da alta escadaria que ficava ao lado da minha porta.
Fragmentos do Diário da menina X. 
(Mas que poderia ser Z. Ela não tem nome, nem tampouco existe.)

Quando se é pequeno, tudo tem outra dimensão. Um "quê" de Sonho.  Um ângulo que fica esquecido com o passar dos anos, conforme crescemos. Por isso, sempre confiei em pessoas que sentam ou dormem no chão. Provavelmente serão as únicas a enteder de que falo quando me refiro a um ângulo esquecido: assim como na infância, o chão deixa o teto alto. De acordo com a posição da cabeça é possível inclusive obter a sensação de "torto", típica do Expressionismo Alemão.
Tenho muitas lembranças da infância. Minha infância foi um filme!
xxx
Eu prometo escrever o máximo que puder, para dar trabalho à quem decidir me decifrar. 

Era noite quente, e a rua cheirava a Jasmim. Da Azaléia só fiquei com a imagem  rosa com suas pintinhas escuras. 
Uma lua muito grande brilhava no céu, no seu primeiro eclipse. Cavalo de fogo,e  abriguinho três listras. Eu estudava sentada no chão, com o caderno sobre a cama. 
Ainda a mesma menina Fictícia...

Fazia assim até hoje! Fazia assim: tomava chás, e comprava sabontes. 

...meio...

Era noite, e ela Mulher,  percebia as antigas músicas de novas maneiras. Resignificava seu entorno, e a si mesma. 
Mas, estranhava o fato de ainda não ter chovido. E ao mesmo tempo, tinha dúvida se devia pensar que:
1)Era somente a umidade típica do inverno que se aproximava, anunciando sua chegada - e que ela sentia em todos seus poros e células- agora que a noite vinha mais cedo a cada novo dia, tal qual um monstro, que se arrasta, l e n t a m e n t e. 
2) Ou, se devia continuar enganando a si mesma e seguir crendo que vai chover amanhã de manhã. Assim, a umidade não seria do inverno, que nunca mais ia chegar.
 
Ou sabia, e que não queria saber. Não queria saber porque o inverno na sua terra tinha aquele cheiro de fogueira à noite, e um horizonte vermelho e empoeirado que brilhava uma vez por ano, no dia 31 de Dezembro. 
...e fim!

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