quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Minhas iniciais parecem um fósforo apagando na água.
Eu estou completamente tremendo por dentro, sentindo frio e uma ansiedade furiosa. Coração disparado, comi cachorro quente com pimenta e creme de ervilha assim, um depois do outro. Fome e cansaço, o coração disparado de novo. Não consigo responder à nada, mal dá tempo de desconcentrar, perceber-se entre uma etapa e outra do dia.
... As vez parece uma onda. Eu sinto o ar faltando enquanto as mãos apertam meu pescoço e começo a rir. De que?, pergunto, sabendo que não saberei jamais a resposta.
Essa noite eu sonhei que tinha um mini bebe (to tamanho de uma Fofolete) e que ele fugia por tudo, e que eu gostava dele tanto quanto tinha gostado dos meus cachorrinhos de infância. Depois que acordei, passei todo o dia chorando porque tinha perdido o bebe mini do sonho. Estranho. As vezes quando eu era criança, sonhava que ganhava no programa "Porta da Esperança" do Silvio Santos a coleção completa das bonecas da Barbie.

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Otempopatrolameesmagaemalpossorespirar.
Pela primeira vez penso que isso (aqui) possa estar chegando ao fim. Já dissemos tudo (eu e ela), e de extremos a extremos andamos por todos os lados.
Me patrolaeesmagatudo e eu não encontro mais desajuste nenhum aí, porque já está TUDO fora do lugar: cabeça, pescoço, sapato, folhas e caderninhos.
Precisava de uma foto. Daí sim tu ia ver.
Mas passa, "Isso é assim mesmo", passa. Basta jogar algumas coisas fora (mesa, cadeira), e juntar mais alguns livros.
Será que ainda dá pra sentar no chão?
Ai. Suspiro 1, suspiro 2. Quem sabe contando não ajuda?
Agora que é preciso dizer tudo, de forma clara (explicadinho e preciso!), me perco nas infinitas possibilidades e estanco, não progrido.
Mas passa. Talvez seja assim mesmo.
Se lá a ordem me toma, se entre outros me é possível articular as partes, porque Senhor, porque é tão difícil fazer o mais fácil?
Preciso de um lugar para passar noite, porque aqui não dá mais pra ficar, nem pra voltar, nem para estar, pelo menos até que as coisas decidam sua ordem, pelo menos até que se encontre a pergunta, pelo menos até que passe essa fase, enquanto uma ideia melhor não surgir.
Um varal de fotos, ou uma parede colorida?

quinta-feira, 1 de setembro de 2011


Gostaria de te matar, e te odeio tanto em alguns momentos. Isso é o que eu digo então.
O sangue, os pedacinhos de tu. E depois sexo comigo mesma sobre teus restos mortais.
Suja de sangue (não, eu não consigo e nem quero abandonar os clichês). Colocaria a mesma música. A mesma música. A mesma música, ela, sempre ela, Louca na matinê.
Depois me mataria. Mas de mentirinha.
Deitada a lado das tuas partes, dormiria em paz (até que não formigassem meus pensamentos).
Lembrei de um filme, play novamente.

Espaço em branco. Eu ali, dormindo ao lado de quem já foste um dia. Sinto saudade, amor, e choro por não estares de fato ali, ao lado meu, enquanto o Cigano nos faz flutuar no salão de Atos.

Nós que sentimos, e eu querendo saber porque tenho que doer as vezes.
Daí que não me calo (em palavras ao menos!), e em casa repito o fenômeno do sal da lágrima que faz coçar minhas bochechas.
Não devia. Mas preciso.

terça-feira, 30 de agosto de 2011

Pequeno ensaio do novo que será "Quando eu começar a dizer tudo"

No tempo em que eu era louca, não podia deixar o dia amanhecer. Era preciso dizer tudo agora. Era necessário ordenar com urgência as garantias que eu teria ao concordar em me relacionar com o todo, o resto, o não-eu.

Antes de eu ser louca, porém, em nada me era permitido tocar. As coisas seriam sentidas ou pressentidas e seria fundamentalmente assim que eu passaria a compreender as minhas verdades.

Minhas verdades, sua verdade.

Nossa verdade. Ela, que não existe, e que requer construção.

Agora não estou mais louca. Aprendi a confiar em minha saliva e nos dois dentes que me restaram.

Boa noite.

Ps: com início, meio e fim! Dale!

terça-feira, 9 de agosto de 2011

Saudade

Cotidiana e sistematicamente tentando te esquecer.
Tua ausência é tão presente que não permite escrever nada além desse clichê barato.
De manhã quando viro a esquina, no trem que me leva de Rosário a Buenos Aires, e a noite (na hora do "chá com bolacha Maria").
Do humor peculiar e do "iiiiiii" bem alto.

tu tu tu...

domingo, 5 de junho de 2011

Historinha sobre a Biodiversidade

Era uma vez um amor tão bonitinho: Ela menina, Ele passarinho.

Ela menina ia para a escola quando viu o corpinho no chão, ainda quente, que tinha acabado de se esborrachar depois de cair do alto do prédio.

Quente ainda. Coitadinho!

O corpinho foi transportado com a mão até o interior de um toco de árvore também morta. Ali, na beira da sepultura, Ela menina prometeu que iria diariamente depositar flores coloridas de papel no oco do toco da árvore, para que nunca fosse esquecido aquele corpinho ainda quente de passarinho.

Mas as flores acabaram lhe trazendo um problema. Tomavam tempo demais.

Na semana seguinte, esse era o bilhete que Ela levava para casa:

“Comunico que a aluna passa todas as aulas desenhando, pintando e recortando flores de papel. Abandonou a matemática, e nem historinhas escreve mais.

Ass.: A Professora.”

Foi dito então à menina que deixasse as homenagens póstumas de lado e que voltasse a estudar. Ao contrário do que se imagina o conselho foi rapidamente acatado, pois ela já tinha cansado de recortar e pintar e desenhar as tais flores.

Tic-Tac.

Muito tempo passou. Ela já não passava mais naquela rua, e Dele não sobrou nem o toco da árvore que foi posteriormente coberto por grossa camada de cimento.

Mas, muitos e muitos anos depois, Ela conhece Ele, que tinha se transformado em um homem muito alto e magro, leve, leve, com rápidos olhinhos ligeiros, e que tinha uma voz de anjo que a deixava muito feliz quando cantava. Agora ele deixava sementes em volta da cama dela, e de aerado fazia seus dias mais leves, enquanto riam e sonhavam juntos.

É de uma vez um amor tão bonitinho. Ela não mais menina, Ele não mais passarinho.

quarta-feira, 11 de maio de 2011

Enquanto relia seus pequenos cadernos verdes.

Como traduzir o silêncio do encontro real entre nós dois?
Clarice Linspector

Sentada e ajeitando as saias (como fazia sua personagem), convidou-se a moça a uma conversa.
Clarice Clarice, e ela de novo a me assombrar.
Se era clichê? Sim, sim... por vezes sentia-se assim. E era esse medo de tornar a se repetir que lhe assombrava nas últimas semanas.
Medo infundado, ria, porque a gente precisa fazer muita força para conseguir se repetir igualzinho no fim.
Rindo de novo, pensou que no fim "é mesmo uma pena que as coisas não se repitam.
Já pensou? os primeiros 100m pedalados sem ajuda das rodinhas; o primeiro feijão que virou planta e a primeira vez de qualquer outra coisa, de novo?"

Mas precisava recomeçar de alguma forma. Vontade, vontades e coisa boa. Andavam de noite na rua, batucadas, copos nas mãos. Na outra página o manual de normalização aberto, o caderno sobre a mesa, a dor no ombro e o iogurte que faziam em casa. De dia perdia-se entre as amostras e de noite encontrava-se nos papéis.

A propósito: tinha ela passado o dia inteiro lembrando do cheiro das casas onde tinha morado nos últimos anos. Horas e horas se divertindo sozinha com as paixões que inventava de mentira, e as saudades que sentia de verdade.

Fim.
(Provisório. Até que um melhor apareça.)

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